Nós
advogados, depois de alguns anos de profissão podemos dizer que já vimos e
ouvimos muitas coisas de pessoas que passaram por nosso escritório.
Muitas
dessas pessoas nos pedem conselhos na certeza de que podemos solucionar seus
problemas, os quais na maioria das vezes são relacionados a assuntos complexos.
É
bem verdade que não me considero uma "expert" em dar conselhos, mas nesse caso
específico, depois de fazer algumas pesquisas e dedicar muito do meu tempo em ouvi-la,
resolvi que a orientaria de uma maneira diferente.
Depois
de ouvir muito, o que não deixa de ser a obrigação de um profissional nessa área,
constatei que minha cliente não precisava de uma advogada, mas sim de um
psicólogo e seu marido de um psiquiatra.
Sob
a alegação de que seu casamento estava acabado, estava convencida de que queria o divorcio, dizendo que seu marido
tinha muitas manias, um ciúme doentio e era obsessivo com limpeza, o que estava
tornando a convivência insuportável.
Segundo
ela: além das manias, ele estava sempre angustiado, ansioso, preocupado com
tudo, o que para mim não era motivo para um divorcio, pois imaginava que esses eram
sentimentos normais de todo ser humano.
Mas
ela completou dizendo que seu marido vivia com medo de tudo e sentia muita culpa
o que passou a interferir no casamento deles, pois mudou sobremaneira a rotina
do casal que passou a não ter mais vida social e reduzindo também o contato com
familiares.
Depois
de muito diálogo chegamos à conclusão que seu marido não precisava de um
divorcio naquele momento, mas sim de um bom tratamento, pois tudo levava a crer
que ele sofria de transtorno obsessivo compulsivo – TOC.
A
Título de Informação:
O
TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo enquanto não diagnosticado pode ser um
dos fatores que provoca a desestabilização de famílias, causando separações e divórcios
devido aos conflitos que causam, como por exemplo: demissões no trabalho, por falta de produtividade
e impossibilidade de crescimento na carreira.
TOC
– TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO
É um
transtorno mental muito grave, chegando a ser comparado a transtornos psiquiátricos
como a esquizofrenia e ao transtorno do humor bipolar.
Entre
muitas de suas características o TOC pode se manifestar por medos de
contaminação - o que provoca no indivíduo o que chamam de mania de lavar as
mãos sem parar, ou então causa dúvidas constantes – provocando a mania de
checagem, onde a pessoa fica checando varias vezes para ter certeza que realmente
fechou uma porta, ou então a mania de colocar tudo em ordem - preocupação em
que as coisas estejam alinhadas e simétricas ou no lugar “certo” e em armazenar,
obsessão, mania de colecionar coisas - poupar ou guardar coisas inúteis
(colecionamento), ansiedade, medos, pensamentos supersticiosos relacionados a
números, cores, datas ou horários.
O
indivíduo pode apresentar um ou mais tipos desses sintomas ao mesmo tempo, de
modo repetitivo, podendo ser observáveis, explícitos ou não, pois podem ser
apenas mentais, nesse caso dificulta o diagnostico.
“Algumas
características auxiliam a identificar as obsessões relacionadas ao TOC: ·
São intrusivas: invadem a mente contra a vontade do indivíduo, são difíceis de
controlar ou de afastar, especialmente quando muito graves; ·
São indesejadas: são desagradáveis, causam desconforto, ansiedade ou medo e
referem-se a temas como perigos, ameaças ou desastres e não a situações
prazerosas; · Provocam resistência:
induzem o indivíduo a lutar contra, tentar afastar, ignorar, suprimir ou
neutralizar, geralmente sem sucesso; ·
São ego-distônicas: seu conteúdo é indesejado e provoca desprazer, medo e
angústia; pode ainda ser estranho ao indivíduo contrariando seus valores morais
ou seus desejos (Purdon C, Clark DA,2005).”
São
muito comuns às pessoas que possuem TOC serem vítimas de chacota e gracinhas e
por isso tentar esconder das outras pessoas os movimentos repetitivos, mas não conseguem
sem um tratamento adequado eliminar ou mesmo diminuir os sintomas desse transtorno.
É
muito importante que as pessoas que sofram desse transtorno procurem orientação
médica para um diagnóstico precoce e a realização de um tratamento correto que lhe
possibilitará a cura.
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